Reflexões de uma noite no shopping.

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Quando a minha cabeça está a mil eu gosto de ver gente. É, parece contraditório, mas é isso mesmo. E foi isso que eu fiz hoje. Fui ao shopping, sentei numa área com vários bancos que formavam um semicírculo e fiquei observando o fluxo de pessoas.

Zilhões de pensamentos me invadiram. Zilhões de sentimentos se misturaram.

E depois de um bom tempo eu observei que estava rodeado de casais distintos. Havia um casal de idosos sentando do meu lado oposto. Eles permaneciam do mesmo modo que eu, calados, distraídos, mas havia uma intimidade sútil, que nem o silêncio conseguia romper.

Depois, um casal jovem junto com a filha no carrinho. Ela demonstrava cansaço pela fisionomia. Ele empurrava o carrinho da filha devagar, o que fez com que ela perdesse a paciência e pegasse a filha colocando-a no chão e o carrinho vazio foi ocupado com as compras.

Outro casal, nem tão jovem, nem tão velho, conversava com animosidade. Ao meu lado dois rapazes se entreolhavam com cumplicidade. Enquanto um jovem casal passava discutindo qual seria a melhor geladeira.

E eu continuava sentado e sozinho. Preso numa cadeia de pensamentos.

Ver todos eles me fez pensar na minha atual descrença em relacionamentos e conseqüentemente no amor. Eu já entrei e saí de relacionamentos e parece que nada de bom ficou. Eu só consigo lembrar as coisas ruins, da ingratidão, da dor, do sofrimento, da traição. E isso se estende por relacionamentos heterossexuais e homossexuais. Não tem como fugir.

Eu converso com pessoas de ambos os lados e todos reclamam de traição, infidelidade, mentiras etc. Creio que hoje a facilidade com que podemos nos relacionar impulsionou essa mudança. A internet com seus sites de relacionamentos: Facebook, Orkut, Formspring, twitter etc trouxe um cardápio repleto, onde fica muito fácil escolher quem vai ser a ‘comida’ da vez.

Ás pessoas não estão mais dispostas a enfrentar o duro de uma relação, a se entregarem totalmente, a vivenciar a vida a dois. Se o relacionamento está ruim, a pessoa é facilmente substituída por outra. Ou a atual moda é manter uma rede de parceiros (as) sempre disponíveis.

Mas, o tempo está passando, e as pessoas acreditam que estão aproveitando a vida com intensidade. E eu acredito que não. Elas estão perdendo tempo de vivenciar algo profundo e duradouro. O tal ‘amor’ não surge repentinamente. O tal ‘amor’ é construído com a convivência, com o compartilhar das alegrias e tristezas, com as viagens, com as brigas, com o jogo da reconquista. Acho que isso, fazer com que alguém se apaixone por você todos os dias, deve ser a coisa mais difícil. Esse tal ‘amor’ não é para todos.

O que está acontecendo é que as pessoas se divertem tanto nesse jogo de quem ‘come’ quem, ou eu quero provar mais e mais, que uma hora elas param e percebem que provaram de tudo, mas não gostaram realmente de nada. Ai, como um jogo de recompensa, elas pegam a primeira coisa que passar pela frente.

É por isso que muitos relacionamentos hoje não dão certo. Pelo medo de tentar, de arriscar, de superar, pela oferta sempre farta, pela libertinagem. Mas, uma hora, talvez quando a idade pesar, ou quem sabe quando perceberem que estão sozinhas, apesar das várias trepadas, elas parem e procurem alguém com quem compartilhar a vida. Que dizem, fica bem mais leve, se for compartilhada.

Eu confesso que, atualmente, quando penso no futuro, eu me vejo sozinho no meu enorme apartamento com cinco suítes, onde cada dia da semana eu vou poder dormir em um quarto diferente. Ah, nos finais de semana tem as salas para curtir.

Hoje, eu queria poder voltar a ser quem eu era em 2006, uma pessoa despreocupada, cheia de planos, desprezando relacionamentos, coisa que nem passava pela minha cabeça. Focado somente em mim e na minha profissão. Hoje, eu vivo pensando demais nos outros, pensava em ter um relacionamento sério, em um modo de fatiar as coisas e mantê-las.
Mas, vejo que isso não está dando certo.

Enfim, reflexões de uma noite no shopping.

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Sobre Vernon Kirke

Eu sou pagão e vivencio minha religião. Sou a parte de um todo. Sou único e complexo. Eu me completo, me basto e me satisfaço. Sou capaz de mudar de ideia como mudo de roupa. Amo na mesma intensidade com a que posso odiar. Gosto de amigos sinceros e amores intensos. Gosto do vento que anuncia a chuva, gosto do barulho da chuva e do ar melancólico que ela causa no ambiente. Gosto quando o vento embaralha meus sentimentos e confundi minhas ideias. Sonho e realizo muito. Escuto mil vezes a mesma música, danço na frente do espelho. Tenho medo do escuro. Choro fácil. Tenho sorrisos tímidos e olhares provocantes. Ás vezes acordo achando a vida desbotada, sem cor, e sinto-me apodrecer por dentro, nesses dias, tenho a certeza que meu coração parou e minha alma resolveu tirar férias, além de me encontrar vazio de pensamentos e sentimentos. Odeio injustiças, falta de caráter, ingratidão, traição e algumas pessoas que ocupam todo o seu tempo se metendo na vida dos outros. Gosto do perfume exalado por outros corpos, beijos lentos e abraços apertados. Estou sempre lendo. E a música já virou rotina na minha vida.

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