Confissões á uma folha de papel..

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“Levantou-se, e já estava cansada, o seu primeiro pensamento foi atordoante, sentia uma vontade, e não sabia do quê, ou de quem. Olhou a sua volta, o quarto estava bagunçado, assim como a sua vida, tudo andava fora de lugar, sem nexo, sem sentido. Mas ela não tinha forças para nada. Estava tomada por um sentimento absurdo que lhe bebera toda. Ela estava perdida dentro de seu próprio universo. Havia saído do seu eixo e passou a orbitar o eixo de outro alguém. Não sentia nada, apenas um cansaço pela luta constante que a vida pede. Olhou para cama e sentiu vontade de dormir um pouco mais, mas não tinha mais sono. Era só o cansaço e aquela ausência sufocante. Resolveu banhar-se. Mirou-se em seu espelho. Perguntas vieram a sua mente. Ela verbalizou cada uma enquanto mirava dentro de seus olhos. Não reconheceu aquela imagem. Era uma estranha. O dia estava começando, mas ela ainda não sabia o que iria fazer. Ainda com a toalha preta, que envolvia o corpo branco desnudo e molhado, pegou uma folha de papel amarelada e esquecida sobre um livro, e uma caneta aberta, onde a tinta já havia ressecado. Riscou a caneta sobre a folha várias vezes tentando tirar a camada ressacada e como um estímulo ao fluxo de tinta que ainda existia ali. Não conseguiu e então como de súbito atirou-a contra a parede. Uma caneta com uma tinta roxa estava no chão, ela a pegou e passou pelo papel. A tinta corria como o sangue nas veias, fluida. Evocou os sentimentos, transformou-os em palavras, e contou tudo a sua única companheira naquele exato momento… uma folha de papel…”

Tudo andava parado. Agora tudo se movimenta tão rapidamente. A realidade estava me fazendo tão bem. Eu só tinha mesmo que respirar, e pronto. Mas, agora, desde que “você” chegou, apesar de estar aqui há muito tempo, a minha realidade foi roubada, meu mundo entrou num movimento sem ritmo e sem direção. Ás vezes eu me sinto perdida, outras vezes completamente achada. Ás vezes eu te sinto tão perto, outras vezes distante demais. Preciso me acostumar com a tua ausência, mesmo quando te tenho ao meu lado. Chega a doer profundamente olhar teus lábios e nem ao menos sentir que gosto eles tem. Creio que esse é apenas um dos sabores que os Deuses jamais me deixaram provar. Pergunto-me se Eles, os sábios Deuses, me castigam com isso. Por que, eu acredito ser esse o meu maior castigo. Não posso culpá-los, nem posso culpar a “você”. Por que se existe um culpado, sou eu. É meu coração. Está sob o meu domínio. E ninguém tem culpa se ele bate descompensado. Meu corpo não me obedece mais. Agora se recusa a comer. E até mesmo permitir que eu saia de mim mesma. Ele apenas clama por uma presença, que eu tento insistir, logo irá partir para outras bandas. Burro coração. Burro corpo. Minha alma parece que tatuou o teu nome. Ela canta-o como a mais bela canção. Acho que preciso interná-la, pois ela me enlouquece um pouco mais a cada dia. Nada mais me pertence. Nem coração, nem corpo, nem mesmo a alma. Todos se voltaram contra mim e se puseram ao teu lado. Vida bandida. Me pregando peças na hora em que eu mais preciso me centrar. Mas, como? Dizem que a poeira não fica por muito tempo embaixo do tapete. Um redemoinho passou e espalhou o que eu guardava tão bem, uma preciosidade minha e de mais ninguém. O sentimento tornou-se palavras, gerou ações, e por fim, resultados. Mas, nem sempre os resultados são os esperados. Tudo é uma questão de probabilidade. A nossa parecia ser mínima. Aqui estou eu, olhando uma folha de papel, amarelada, só ela tenho para desabafar, só ela pode me ouvir sem me recriminar. Ela apenas testemunha, silenciosa, e banha-se com as lágrimas que caem ás vezes manchando uma palavra ou outra. Eu poderia usar como sobrenome Tristeza, Saudade, ou Dor. Mas, eu escolho felicidade. Pois cada presença e ausência tua fazem com que eu me sinta viva. Gosto de me embriagar com a tua presença ausente. E assim continuaremos, até onde a vida nos permitir, ou até quando você decidir partir.

by Ravyn Esidor

Photo_Créditos_ http://downloads.open4group.com/wallpapers/1024×768/life-numa-folha-de-papel-14923.html

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Sobre Vernon Kirke

Eu sou pagão e vivencio minha religião. Sou a parte de um todo. Sou único e complexo. Eu me completo, me basto e me satisfaço. Sou capaz de mudar de ideia como mudo de roupa. Amo na mesma intensidade com a que posso odiar. Gosto de amigos sinceros e amores intensos. Gosto do vento que anuncia a chuva, gosto do barulho da chuva e do ar melancólico que ela causa no ambiente. Gosto quando o vento embaralha meus sentimentos e confundi minhas ideias. Sonho e realizo muito. Escuto mil vezes a mesma música, danço na frente do espelho. Tenho medo do escuro. Choro fácil. Tenho sorrisos tímidos e olhares provocantes. Ás vezes acordo achando a vida desbotada, sem cor, e sinto-me apodrecer por dentro, nesses dias, tenho a certeza que meu coração parou e minha alma resolveu tirar férias, além de me encontrar vazio de pensamentos e sentimentos. Odeio injustiças, falta de caráter, ingratidão, traição e algumas pessoas que ocupam todo o seu tempo se metendo na vida dos outros. Gosto do perfume exalado por outros corpos, beijos lentos e abraços apertados. Estou sempre lendo. E a música já virou rotina na minha vida.

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