Breve tratado sobre a covardia e a mulher.

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Este texto é de autoria do Rafinha do CQC e está circulando na net. Resolvi colocá-lo no blog, por que eu concordo com as palavras do Rafinha.

Breve tratado sobre a covardia e a mulher

Vi agora o polêmico vídeo da aluna da UNIBAN – o que mostra uma centena de estudantes acuando e hostilizando uma jovem que foi a uma aula em um campus da Universidade. .. vestindo uma roupavermelha e curta.

A histeria coletiva, a que tomou conta de tudo, como se bem vê nas imagens, falou mais alto. Começou motivada por um ou outro covarde preconceituoso e, como era de se esperar em atos covardes, encontrou na comodidade do anonimato de quem só tem força no meio da multidão, uma forma de se propagar estupidamente.

As massas são cegas, já sabemos. É no meio da galera que se
esconde o cara que joga uma pedra no outro dentro de um estádio de futebol lotado. Camuflados entre os comparsas, agem os mais fracos – os que intimidam só pq se apegam ao bando para serem homens de verdade. É na comodidade das milhares de pessoas virtuais anônimas, e acobertadas por outras do mesmo tipo, que molestam os pedófilos, atacam os inquisitores e “cagam-regra” os mais fracos; os bundões de verdade. Que as massas são cegas, nós já sabemos. A discussão agora é: até que ponto elas podem ser tão
cruéis?

O que mais me chamou a atenção no episódio da “aluna-puta”
(como o caso já se tornou maldosamente conhecido – e só essa definição já dá pano pra manga!), foi o fato de tudo ter se
passado no campus de uma Universidade que me recebeu tão bem, e com tanta alegria e carinho, ainda esse ano numa palestra. Fiquei impressionado ao perceber como uma mesma turma boa e receptiva pode ser agressiva e cruel. Como lógicas preconceituosas e machistas imperam nesse mundo, nesse país!

Um ponto importante. Já chegaram a me questionar no Twitter hj, inclusive. Puxa, que coisa, não? Mas ela estava vestindo uma roupa vermelha curtinha; parecia uma puta. Bem, ela mereceu, não?

O que é isso agora? As pessoas vão ser julgadas até qdo pelo
que vestem? E, no mais, se essa garota – que nem conheço e jamais poderia julgar – for isso ou aquilo da vida, quem está em condições de ser juiz e dar um veredicto de intimidação e violência como aquele, compartilhado com todos no Youtube?

O mais maluco para mim é: se isso tivesse ocorrido em qualquer outro lugar, já seria um tanto lamentável. Aliás, essa é uma daquelas coisas que achamos que só rola no Oriente Médio. Tem pinta de ser algo que estamos – infelizmente – nos acostumando a ler, em pleno século XXI, como parte do show de horrores a que estão sujeitas algumas mulheres: elas são violentadas, apedrejadas, mutiladas, espancadas e mortas por atos tidos como libidinosos e profanos… mas que não passam de deturpações patológicas de mentes machistas idiotas.

O horror total é constatar que a bizarrice que está no Youtube
aconteceu no campus de uma Universidade privada – justamente em um local onde, esperamos, as pessoas desenvolvam ainda mais o sensocrítico, o sentido de justiça e o aprimoramento do caráter e dos melhores valores humanos.

Violência contra a mulher. Machismo, julgamentos levianos. O homem que pratica qualquer uma dessas coisas é um babaca; um imbecil. Não merece um pingo de compreensão, um olhar de um cara de bem sequer. Como castigo, não merece nunca nenhuma mulher – e ficar sem mulher é o pior dos castigos! Caras bizarros que não sabem respeitar e amar uma mulher precisam de terapia intensiva e isolamento da sociedade. E ganham meu desprezo.

Mas sentimentos e comportamentos nocivos ligados às mulheres, às vezes, não partem única e exclusivamente dos homens. No vídeo da moça da Uniban, notamos uma série de garotas puxando o coro de ofensas. Há depoimentos (que não posso dizer se são ou não verdadeiros, pois não apurei o caso) de jovens que juram que foram algumas mulheres que começaram a polemizar.

O que quero dizer é que a violência e a maldade – de todo tipo – com a mulher deve, e urgentemente! , ser revista por todo mundo. Inclusive pelas mulheres.

Lembro de ter visto uma coisa muito séria acontecer com uma amiga minha, anos atrás. Ela conseguiu um lugar que muita gente queria – eles e elas. Num local público, cheio de exposição, com todo mundo acompanhando. A Jú (nome fictício) fez a parte que lhe cabia; se empenhou e era competente. Como era de se esperar, foi bem criticada. Mas essa crítica se deu dessa maneira: dos homens à sua volta, ela recebeu questionamentos acerca da beleza e do talento. Das
mulheres, recebeu os feedbacks mais duros e os piores xingamentos. Para elas, ela era uma puta, pois certamente teria dado para algum chefe. Só assim para estar ali. A pressão foi tanta que ela desistiu – mas desistiu mais por conta da pressão das mulheres do que por conta da pressão masculina.

Sei a que são submetidas as mulheres na nossa sociedade. Sei da luta, competência, coragem e garra das nossas mães, namoradas, amigas e esposas. Acho a mulher a coisa mais linda do Universo. E é por isso que a amo tanto e sempre fui tão mulherengo. Não namoro muito até hj pq preferi conhecer mais e mais tipos de garotas; ter mais e mais contatos e aprendizados com elas. Sempre achei, e continuo achando, que se o Brasil tivesse uma mulher na Presidência, esse país iria ser uma potência e tanto! As mulheres, indiscutivelmente, trabalham melhor e pensam melhor. As mulheres, indiscutivelmente, são mais maduras e melhores do que os homens. Afinal, os homens não são regidos pela mente e por tudo que a cabeça assimila ao longo da vida. Os homens são regidos pelo pau.

No entanto, em algumas coisas as mulheres são muito machistas. Ao competirem umas com as outras, podem ser mais sexistas do que nós. Entram em jogo guerras de vaidades, julgamentos e penas dolorosas. Na relação afetiva, muitas vezes, as mulheres conseguem ser bem machistas tbm. Tantas vezes lamentei (tímido para essas coisas, como sempre fui), que tudo no campo sentimental tivesse de partir de novo de mim, de mim e de mim! E quantas vezes ouvi de garotas, antes e depois de um primeiro beijo ou uma primeira transa, que a coisa só não tinha rolado antes pq eu não tinha tomado a iniciativa.. . e pq eu, como homem, sempre tenho de dar o primeiro passo? Pq, como homem, sou eu sempre que tenho que conquistar, convidar, ir atrás… e não ser tomado de assalto por uma mulher cheia de iniciativa? Do mesmo modo, pq o feminismo é tão acertivo em discutir a igualdade nos mercados de trabalho (algo que tem meu total apoio e nem questiono).. . mas é tão retraído na hora de dividir uma conta no restaurante? Quando a fatura chega na mesa, o senso comum ainda pede que seja o homem o responsável pelo acerto do valor cobrado. O senso comum que, inclusive, é muito defendido pelas… mulheres!

Antes que esse texto seja debatido com unhas e dentes por aqui – e antes mesmo que muitas mulheres se defendam, se ofendam, ou possam me acusar – quero reiterar uma coisa já escrita anteriormente: não estou contra vcs, mulheres. Reafirmo meu amor e minha solidariedade; minha devoção, idolatria, confiança e fidelidade. Sei tbm que nem tudo que disse aqui se aplica a todo mundo – quem me conhece sabe que não gosto de rotular e nunca acreditei no tal do senso-comum.

Aqui vai uma dica: absorvam desse texto apenas o que lhes serve. E perguntem-se: quantas vezes vcs não pensaram em si mesmas como vítimas do sistema, ao mesmo tempo em que foram implacáveis – como as garotas cruéis da Uniban – ao associar uma outra mulher à figura de puta… só por esta ter usado um vestido curto e vermelho em um lugar público???

Um abraço!

Rafa

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Sobre Vernon Kirke

Eu sou pagão e vivencio minha religião. Sou a parte de um todo. Sou único e complexo. Eu me completo, me basto e me satisfaço. Sou capaz de mudar de ideia como mudo de roupa. Amo na mesma intensidade com a que posso odiar. Gosto de amigos sinceros e amores intensos. Gosto do vento que anuncia a chuva, gosto do barulho da chuva e do ar melancólico que ela causa no ambiente. Gosto quando o vento embaralha meus sentimentos e confundi minhas ideias. Sonho e realizo muito. Escuto mil vezes a mesma música, danço na frente do espelho. Tenho medo do escuro. Choro fácil. Tenho sorrisos tímidos e olhares provocantes. Ás vezes acordo achando a vida desbotada, sem cor, e sinto-me apodrecer por dentro, nesses dias, tenho a certeza que meu coração parou e minha alma resolveu tirar férias, além de me encontrar vazio de pensamentos e sentimentos. Odeio injustiças, falta de caráter, ingratidão, traição e algumas pessoas que ocupam todo o seu tempo se metendo na vida dos outros. Gosto do perfume exalado por outros corpos, beijos lentos e abraços apertados. Estou sempre lendo. E a música já virou rotina na minha vida.

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